Ano Novo, Vida Nova
Bom dia, amig@s!
Provavelmente partilhamos um ódio de estimação por clichés e frases-feitas como a celebérrima “Ano novo. Vida nova”, que nos viola os olhos e ouvidos nesta altura do ano, certo?
Ora bem, quis o malvado destino que, este ano, fosse a minha vez de abrir as hostilidades deste maravilhoso 2026 com o irritante adágio que nos assalta sem perdão porque, efectivamente, nunca foi tão verdadeiro.
Então vejamos: a actividade frenética da Flying Sharks tornou-se de tal forma exigente que tive de pausar as aulas, depois de duas décadas a ensinar jovens aspirantes a biólogos marinhos. Não foi uma decisão fácil, mas já sabia que as viagens cada vez mais frequentes da empresa que me levou a arriscar tudo e sair do emprego de sonho que tinha no Oceanário, em 2006, se iam tornar incompatíveis com a docência.
Ainda bem que o fiz, até porque esta pausa coincidiu com a entrada do Nikola na escola, o que muito contribuiu para esta vontade de querer estar menos tempo na A8 e/ou em Peniche, e mais tempo em casa. Mal eu sabia, quando tomei essa decisão no início do Verão, quão necessário se tornaria estar efectivamente em casa.
Levar à escola, ir buscar à escola, reuniões com a escola, procurar outra escola, levar ao judo, levar às festas de anos, limpar a casa e arrumar a cozinha, porque a minha natureza obsessiva-compulsiva não me deixa enviar emails enquanto há pratos sujos na cozinha ou bolas de pêlo de gato a rebolar pelo chão, enfim… os dias de agora são bastante diferentes do que eram há um ano, que incluíam largas horas ao volante ou a falar sobre gestão de recursos marinhos, tecnologias de pesca ou biologia pesqueira para juventude entusiástica e com ganas de salvar o mundo.
Foi precisamente neste espírito que criámos cá em casa um espaço que promova a vontade de aprender, pelo que o meu antigo “escritório” foi convertido em “sala de aula” para o Nikola, graças aos dotes de bricolage da mamã e umas idas ao Leroy Merlin.
Este “refresh” ao lar doce lar incluiu uma purga épica a bens que estavam esquecidos em gavetas variadas, que encerravam tesourinhos como: máquinas de pagamento de cartão de crédito manuais; slides de palestras científicas dadas em conferências e fotografados com tripé no tal escritório, às escuras e com exposição prolongada; folhas A4 transparentes porque, sim, comecei a carreira a dar palestras com o auxílio de retroprojetores; etiquetas de disquetes e de CDs e, la pièce de résistence, a caixa com todos os bilhetes de cinema que já alguma vez vi e que já somam mais de 2500.
Não escondo que meter estes num saco de papelada para reciclar doeu-me na alma, mas senti alguma tranquilidade em saber que todas essas idas estão devidamente registadas em Excel, num ficheiro cujo nome ( “CINEMA” ) não muda desde 1989, quando foi criado, no tempo em que os ficheiros só podiam ter 8 caracteres, todos maiúsculos e sem qualquer tipo de diferenciação.
E pronto.
A única coisa que falta mesmo é instigar o gosto pelo desporto, mas essa é uma luta que perco há 53 anos e não me cheira que alguma vez a vá ganhar. O que vale é que as ralações todas levaram-me 8 quilos desde a passagem de ano de 24/25 e 30 minutos semanais de natação parecem ser suficientes para manter as hérnias discais (que já somam 3) sob controlo.
Resta ver o que o 2026 nos reserva e arregaçar as mangas para garantir que esta trajectória em direcção à paz que nos escapa incessantemente por entre os dedos fica um nadinha mais perto.
Um bom ano para tod@s e espero que nos vejamos no auditório da vossa empresa, para falar sobre estas e outras coisas interessantes.
Abrações!







