30 anos
No dia 15 de maio seria o trigésimo aniversário do meu casamento com a Leonor, não fosse a vida levar-nos por caminhos divergentes há mais ou menos 20 anos. Contudo, apesar de termos construído famílias novas, perdura uma amizade especial e que merece ser assinalada nesta data tão significativa.
Conhecemo-nos na Universidade do Algarve no dia 22-10-1990, ambos caloiros em Biologia Marinha e Pescas, com o mundo inteiro pela frente. No meu caso, foi amor à primeira vista, mas levei um ano e meio a convencer a malvada de que eu era a escolha certa. Ao rever as minhas fotos de então entendo, finalmente, a sua hesitação inicial.
Seguiram-se anos de felicidade simples, em que uma ida à Pizza Hut no velho Golf de 1987 constituía um momento de sublime prazer. Contudo, a chegada dos trintas envolveu-me numa crise de adolescência tardia, misturada com uma crise de meia-idade adiantada. Foi um período parvo, em que a facturação absurda do negócio Alalunga me permitiu meter um Porsche descapotável na garagem e só faltou começar a meter brilhantina no cabelo.
Juntemos a essa fórmula o patrocínio das festas fetiche mais emblemáticas do país, e muitas meninas facilmente impressionáveis com a expectativa do que estava debaixo do capot, e não tardou muito a explorarmos as oportunidades que o mundo do poliamor encerrava, achando que éramos o casalinho mais cool e moderno do mundo.
Enganámo-nos redondamente e o fosso que nos separava foi ficando cada vez mais fundo.
Mas a vida continuou, com uns tropeções aqui e ali, e fico genuinamente feliz por ir acompanhando o novo caminho que encontrou, novo amor e nova felicidade. Tal como eu encontrei a Nina, que deu à luz ao nosso Nikola, com quem partilho uma vida que, não fossem as dores de barriga causadas com a gestão dum negócio próprio, seria quase perfeita.
O tempo pode ter apagado algumas memórias, mas não as palavras que a Leonor escreveu no verso do azulejo que me ofereceu noutra vida, e que guardo com muito carinho.
Também eu lhe desejo muito sucesso, pleno de felicidade, e agradeço à Nina pela vida extraordinária que partilhamos, com a esperança de que possamos continuar assim até ao fim, vendo o Nikola crescer, apesar de todas as incertezas do mundo alucinado em que vivemos.




