Noites Flying Sharks

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Já falei várias vezes deste tema e de como as redes da Flying Sharks estão repletas de fotografias de jantaradas com um ar muito feliz, copos erguidos, a celebrar mais uma missão bem cumprida. E é verdade. Nada como um brinde àquele delicioso sentimento de dever cumprido.

Verdade seja dita, durante a missão não há tempo – nem cabeça – para fotos.

Mas aqui vão algumas noites que as redes sociais não mostram.

Por exemplo, aterrar em Santiago do Chile depois de 14 horas em classe económica muito – muito – apertada. Ligar o telefone e confirmar a frustração – já antecipada – de ter pedido aos transitários do Chile e Madrid, envolvidos na operação, para comunicarem entre si, e, claro, ninguém comunicou.

Depois, seguir para o hotel sabendo que só faltam 5 horas para o início do dia seguinte. Cinco horas que seriam para dormir antes de começar uma maratona de reuniões com a autoridade sanitária, preparação de embalamento e toda a logística necessária. Na prática, foram 5 horas de emails, mensagens com a equipa de Madrid, 4 horas à frente e já na labuta, e tratar de detalhes que não foram tratados durante o voo e que, inevitavelmente, acabam sempre por cair em cima de quem está ao leme.

Seguiu-se uma segunda noite sem dormir, a embalar os bichos em 54 caixas. E depois uma terceira, já no avião para Madrid, agora com os peixes a bordo. Missão em curso outra vez. Responsabilidade máxima. Zero margem para falhas.

A ajudar à festa, uma conjuntivite tremenda no olho esquerdo, que foi passando lentamente para o direito. Gotas, ardor constante e uma dificuldade absurda a ler emails no telefone ou portátil, com os olhos a arder e a visão turva. Sempre a tentar manter o foco quando o corpo pede descanso e os olhos imploram simplesmente por fechar.

Estes são alguns dos momentos Flying Sharks que não aparecem nas redes. Não há fotografias dessas madrugadas, nem stories das horas passadas a resolver problemas invisíveis. Não há brindes nem sorrisos nessas alturas – apenas profissionalismo, resiliência e a determinação silenciosa de levar a missão até ao fim.

Porque, no fim, o que aparece nas redes é a celebração. O que não aparece é tudo o que foi preciso aguentar para lá chegar.

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