Shark Specialist to be

Partilhe este artigo!

Numas arrumações recentes descobri um molho de cartões de visita que imprimi em casa no distante 1994, porque achei prudente ir munido de algo que me identificasse na minha primeira reunião científica da American Elasmobranch Society, a mais prestigiada conferência de tubarões e raias no mundo.

Foi na University of South California,  em Los Angeles, em junho de 1994, e ainda se viam os buracos das balas que feriram as paredes dos edifícios do impressionante campus – e não só – nos motins que rebentaram com o espancamento policial do Rodney King, apenas dois anos antes.

Num 1994 em que o email ainda era uma miragem, os meus cartões tinham o meu nome, a morada dos meus pais, que ainda albergavam um jovem biólogo marinho tecnicamente desempregado, e o meu título auto-atribuído ‘Shark Specialist to be”.

Chamem-me convencido, fanfarrão, ou o que quiserem, mas, desde que vi a obra-prima do Steven Spielberg, ‘Jaws’, que decidi que o meu futuro estava traçado e seria um Mr. Hooper português. Por ouras palavras, um especialista – ainda por cima do Cartaxo – em tubarões.

“Como é que lá chego??” era a pergunta que mais me atormentava nos anos de adolescência, para além de não conseguir ter coragem de dizer à Gracinda que gostava mesmo dela.

Mas uma voz interior, ou seja lá o que lhe quiserem chamar, sussurrava-me algo similar ao que o personagem do Kevin Costner, no ‘Field of Dreams’, ouvia: “if you build t, he will come”.

No meu caso era algo mais do género: “Se deres o litro, isto vai lá”.

Não é tão poético, mas encerra o mesmo conceito.

Eu não fazia ideia de como ia dar o salto do Cartaxo para o panorama global da ciência que estuda os tubarões. Mas uma coisa eu sabia: raios me partam se deixaria que qualquer obstáculo se atravessasse no meu caminho.

Inicialmente investi na investigação, até os aquários me caírem no colo.

Fui dançando ao som da música e, quando dei por ela, estava com 30 anos desta macacada no lombo.

Rapaziada jovem, e não só: não há aqui grande ciência… Os vossos sonhos, por mais impossíveis que possam parecer, estão ao alcance do vosso esforço.

“If you build it, he will come”.

Partilhe este artigo!

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *